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SOBRENOMES & PROFISSÕES

Carlos de Paula

 

O índice S&P500 é um dos principais índices de medida de riqueza no mundo. A empresa que publica esse índice é uma das poucas que classifica títulos ou ações no mundo, no qual se baseiam as decisões de investimentos que somam bilhões, se não trilhões de dólares por dia. O nome da empresa, ironia das ironias: Standard & Poor’s.

 

Meditei sobre o fato, e de repente me dei conta de algo curioso: uma empresa que se chama, em português, “Comum & Do Pobre”, influencia os investimentos dos ricos do mundo. Daí comecei a pensar em sobrenomes, e como às vezes as pessoas nascem com um sobrenome infeliz para a profissão escolhida. Afinal, nem todos são Silvas, Souzas ou De Paulas.

 

Por exemplo. Araque. É um sobrenome. Já imaginou ter seu cérebro operado por um médico que se chama Araque? Preocupante.

 

O sobrenome Roballo existe. Sem dúvida seria um sobrenome infeliz para juiz de futebol.

 

Rollo. Que tal um juiz de direito com esse nome? Ou contador. Ideal para políticos, entretanto.

 

E um médico chamado Boamorte? Acho que teria poucos pacientes.

 

Traficante, suponho, tem origem italiana. Você usaria os serviços de um despachante de cargas com esse sobrenome?

 

O sobrenome Pato não é comum, mas existe. Que tal um auditor, que caia que nem um um pato em tudo que vê? “O Sr. Pato está aqui esperando para examinar as contas!”

 

Sem dúvida, Cavallo não é um sobrenome ideal para professor de etiqueta.

 

Um exterminador chamado Barata ou Rato parece ter um conflito de interesses ou ser traidor. Um espião chamado Bandeira...

 

E Caldeira não é um bom nome para dono de frigorífico. Frias é melhor. Mas os dois são OK para donos de jornais.

 

Pena e Carrasco são sobrenomes impróprios para supostamente imparciais juízes. 

 

Um promotor chamado Clemente pareceria ineficaz e suspeito. E um coloproctologista Pimenta, assustador. 

 

O padre Mesquita parece que está na religião errada. E o delegado Furtado está do lado errado da escrivaninha.

 

Um especialista em dietas chamado Gordinho não inspira confiança. E a doceira Salgado teria uma crise de imagem.

 

Não há só sobrenomes inadequados para certas profissões, nomes também. Já imaginou um piloto de aviões chamado Caio??? Ou um filósofo ateu chamado Teófilo? Ou autor de livros de auto-ajuda chamado Modesto! E o ladrão Angelo!

 

As opções em outros idiomas são igualmente deliciosas. Em alemão era costumeiro que as famílias adotassem como sobrenome a profissão da família. Assim, Schumacher significa “sapateiro”. Não é um sobrenome muito próprio para uma profissão high tech como analista de sistemas, não é. Já imaginou “O Sapateiro está vindo consertar seu mainframe”? Mas se você senta bota num carro de corridas, até que dá para entender. E Taylor e Schneider, que significam alfaiate em inglês e alemão! Já imaginou um oftalmologista, Dr. Alfaiate? Dando tesouradas e agulhadas nos seus olhos. E outro dia vi um sobrenome de um profissional liberal que assustou: Kapetan!

 

Por outro lado, alguns sobrenomes caem que nem luva com algumas profissões. Por exemplo, Branco para dono de lavanderia. Negrão para leão de chácara, zagueiro ou cobrador. Costa para quiroprata. Serra e Machado para dono de madeireira. Um sobrenome excelente para políticos ou autores de novelas: Trama. Santos para religiosos. Faro para investigador. Campos para fazendeiros. Gentil para recepcionistas. Covas para dono de funerária. Leite para pecuarista. Dr. Coelho – especialista em esterilidade, excelente, não? O grande pintor Quadros. O pugilista Valente. O importante armador Porto. O criador de passarinhos Viveiros. O obstetra Nascimento. O granjeiro Pinto. O florista Ramos. A estilista de biquinis Rego. Um sobrenome que não tem nada a ver com profissão: Consorte para o cara que ganhou na Loteria diversas vezes. Um anão do orçamento da vida. Não poderia deixar essa passar.

 

Enfim, o sobrenome ideal para todos: Pessoa.

 

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Last modified: October 15, 2007