|
brazilyellowpages.com
|
|
|
Não se esqueça de visitar meu blog CLIQUE AQUI
OUTROS ARTIGOS CLIQUE AQUI SINCERIDADE Por Carlos de Paula Num banco - Bom dia, senhor... - ...Silveira, a seu dispor! - Pois não. O senhor deseja um empréstimo, não é? - É sim. Tá aqui os papel. - Por favor, sente-se. Bem, aqui no nome diz Silveira, mas também Silveirinha, Boca de Sapo, Fumanchu, Treme-treme, etc., por que tanto nome? - Sabe que é, na minha atividade a gente tem muito nome. Eu pûs tudo. Me conhecem de uma forma na Zona Sul, outra na Zona Norte, no Centro, sacumé? - Sei...Mas o nome oficial é Silveira, não? - É Silveira sim, de batismo e carteirinha. Até na ficha na polícia. Quer ver? - Não precisa, agora. Aqui no endereço o senhor pôs um monte de endereços também... - Quando a gente tá morando de favor é assim. Quinze dias na casa de um, até a patroa do cara reclamar, depois na casa de outro, quando a coisa pega eu dou um sumiço... - Ou seja, o senhor não tem residência fixa. - Acho que não. “Ficha”, não. - E esse telefone, presumo, é um celular. - É, só que não adianta ligar. Estou sem pagar há dois meses e me cortaram a linha. Pode deixar recado na padaria da esquina. Panificadora União, do seu Joaquim. Agora não sei nada sobre esse presunto, não. - (Engolindo seco) Bem, sua atividade. Aqui diz mico-empresário. Não seria micro-empresário? - Não, é mico mesmo, precisa ver cada mico que eu pego. - Não estou entendendo, aqui, no objetivo do empréstimo o senhor diz “Umas parada”. Que é isso. - Olha (sussurrando e conspiratório), vou ser sincero com o senhor, pois o doutor parece gente fina. No meu negócio a gente tem que ter muito, mas muito “sigilio”. A situação é a seguinte. Eu comprei uma mercadoria de um fulano, a fiado, e vendi pra outro, a fiado também. O desgraçado não me pagou, até hoje, me deu o cano. E o cara que me forneceu tá me pondo na parede, e se eu não pagar ele dentro de alguns dias em vou pro fundo do lago, com sapato de cimento e tudo. Com esse empréstimo eu pago meu fornecedor, e contrato um negão que eu conheço, cobrador de mão cheia, que vai receber deste cliente safado que eu arranjei. Garantido. O cara é fera, recebe de todo mundo com juro, mas quer receber adiantado. Vai dar uma bela duma massagem no vigarista, ah, vai. Daí com o dinheiro da cobrança eu pago o banco. Estou sem “fruxo” de caixa, sabe como é. - Sei (secamente). Aqui em colateral o senhor escreveu saúde perfeita. - Ah eu não tenho nada não, tenho uma saúde de touro, mesmo. Digo com orgulho. E jogo umas três horas de futebol. Posso tomar qualquer remédio que não tenho esses tal de colateral. - O senhor não entendeu, não é efeito colateral, o senhor tem algo pra dar de garantia? - Olha, no momento não. Deixei penhorado meu 38 e AK47 com um cara, que entrou em cana. Nem sei onde estão minhas máquinas no momento. Já devem ter ido pro Paraguai. Se tivesse com elas já tinha ido cobrar daquele salafrário, nem precisava do negão! - Agora em referências, o senhor listou um monte de pessoas sem telefone, e uns endereços estranhos, esquina de rua tal com tal, como é isso? - Pode crer, doutor, o senhor acha o pessoal nas esquina. Geralmente mandam um menino buscar o cara. É só falar que é da parte do Boca de Sapo. O pessoal me conhece há anos, é tudo gente bacana. Só não vai de terno, se não vão pensar que o doutor é delegado, e leva pouco dinheiro na carteira. E sem relógio. - Eu vou ser sincero com o senhor também. Vou precisar apresentar isso para o gerente geral, pois não tenho condições de aprovar este negócio. O senhor fica aguardando aqui, por favor. Duas horas depois, aparece, sorridente e cheio de dentes, o gerente geral. - Bom dia, Sr. Silveira? - Opa, pro senhor pode ser Boca de Sapo. - Não, prefiro Silveira, tenho alergia a sapos. Poderia entrar na minha sala? Silveira se esparrama na confortável cadeira de couro. O gerente toma a palavra:
- Tive que fazer algumas chamadas para a sede, e não pude aprovar o empréstimo, mas tenho um negócio melhor ainda para o senhor. - Não diga! - Estamos com uma nova campanha publicitária, queremos dizer ao público que nosso banco faz empréstimos incríveis e impossíveis. Então queremos usar o senhor num comercial, já que o senhor foi tão...sincero! - Tá brincando! (super animado, quase salivando de satisfação). - Não estou, não. Vamos pagá-lo, o senhor não tem que devolver nada. E vamos pagar 20 mil! Só tem que confirmar, para quem perguntar, que te demos o empréstimo, que não é armação! - Eta! Não tem poblema, confirmo qualquer coisa, assino os papel. Quando vamos gravar? Vou querer uma cachacinha e um rango durante a gravação, pra me soltar mais... - Não tem problema, vamos providenciar. - E também quero... - Espera um pouco, Sr. Silveira! Só a cachacinha e o rango, nada mais, isto aqui não é Rede Globo! - Tá bom, agora dá pra vocês me adiantarem uma grana, tenho que pagar o meu fornecedor até sexta-feira. Preciso de quatro paus, senão vou pro fundo do lago e não sei nadar! Ele não brinca em serviço! - Está bem, passe lá no caixa. - Olha, e depois, se quiserem o endereço do negão pra fazer as cobrança do banco... - Não será necessário. Bom dia, Sr. Silveira. |
|
Send mail to carlosdepaula@mindspring.com
with
questions or comments about this web site.
|