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QUÃO
BOM É MICHAEL SCHUMACHER?
Ao
ganhar o seu sexto campeonato de Formula 1, Michael Schumacher atingiu outro
recorde absoluto em uma carreira repleta deles. Conseguiu bater o recorde de
Fangio, fato outrora inconcebível. Junta-se a este o maior número de vitórias,
mais voltas na liderança, maior número de voltas mais rápidas, maior número
de podiums, maior número de pontos. Resta-lhe só o maior número de poles,
recorde que resiste nas mãos de Ayrton Senna, e o maior número de corridas,
detido por Patrese.
Quão
justo é qualificar Schumacher como melhor piloto de todos os tempos, com base
nesses recordes? Faz sentido interpretar a grandeza numérica de Schumacher,
quando em outras eras o campeonato de Formula 1 era composto de 6 provas? Por
exemplo, consideremos o recorde de 6 campeonatos vencidos. Schumacher obteve o
recorde em 12 temporadas, ao passo que Fangio ganhou 5 campeonatos em 7
temporadas e meia! Fangio ganhou 24 corridas, mas correu pouco mais de 50 Grand
Prix!!! Quase a metade das corridas que correu.
Os números
de Jim Clark também são assustadores, em termos relativos. Clark só correu 72
GPs, e ganhou 25. O fato de ter ganho só dois campeonatos não reflete, de
forma alguma, o grau de superioridade de Clark, numa época povoada de pilotos
extremamente versáteis e talentosos (Dan Gurney, G. Hill, Denis Hulme, Jack
Brabham, etc. etc.). Schumacher, embora seja indisputavelmente o melhor piloto
da era moderna, teve pouca concorrência desde a morte de Senna em 1994. O único
piloto, segundo o próprio Michael, que esteve no seu patamar de talento nos últimos
anos foi Mika Hakkinen. Montoya tem, até o momento, desapontado em muitas áreas.
Seus outros rivais, nos últimos nove anos, Jacques Villeneuve, Damon Hill,
David Coulthard, Ralf Schumacher, Heinz Harald Frentzen, Eddie Irvine, Rubens
Barrichelo e a nova “sensação” Kimi Raikkonen, estão muito longe de
Schumacher em termos de talento, daí essa superioridade numérica. Resta a
esperança de Fernando Alonso. Não é de todo surpreendente que Schumacher só
deslanchou em 94, após Senna, Prost e Mansell desaparecerem do cenário.
Senna e
Prost foram praticamente contemporâneos. Os 41 GPs de Senna podiam facilmente
tornar-se 81, se Prost não estivesse presente nas pistas, e os 51 de Prost, 92.
Michael só teve um rival no mesmo nível durante as três temporadas em que
Mika Hakkinen teve um carro à altura do seu talento. E Hakkinen, que quase
perdeu a vida em um terrível acidente em 95, não teve a motivação para
continuar a correr além de 2000.
A
estamina de Schumacher e a sua força emocional/mental, entretanto, estão
obviamente acima de todos os outros grandes pilotos, de qualquer era. Assim que
não é difícil conceber que no ocaso da sua carreira, MS terá ganhado mais de
80 GPS, 8 campeonatos e tenha também batido o recorde de GPs corridos, tal a
sua vontade de vencer e competir.
Entretanto,
as comparações de era para era são inúteis. Correr GPs de 1 hora e meia com
carros que exigem muito dos músculos do pescoço, devido às forças G é uma
coisa: correr maratonas de 3 horas e meia, com pesadíssimos carros de baixa potência,
que exigiam muito dos músculos do braço, outra. É bem possível que Fangio
fosse um fracasso dirigindo um carro moderno, e MS fosse outro dirigindo as
Maserati 250 F dos anos 50. Sem contar os desajeitados Auto Union dos anos 30.
Ou seja,
fica claro que os recordes decididamente não podem ser usados como padrão
objetivo para decidir quem foi o melhor piloto até hoje. Sorry, Michael!
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