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Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor MONOPOSTOS
NO BRASIL ATÉ 1980 Segundo
vimos no artigo sobre a Mecânica
Continental, esta foi a primeira tentativa de
se criar uma categoria “brasileira” de monopostos. As aspas se dão ao fato
de nem os chassis, nem os motores serem brasileiros. A categoria persistiu até
1966, mas nessa época já era um anacronismo. Os imensos monopostos da década
de 50, com motores dianteiros, já pareciam peças de museu em comparação aos monopostos de F-1 da atualidade. E a realidade do automobilismo já era outra.
A
Formula Junior fora uma categoria criada na Itália, em 1958, e que logo se
espalhou pelos quatro cantos do mundo, tendo bastante força na Inglaterra. Os
monopostos, inicialmente com motor dianteiro, logo aderiram a configuração
traseira, febre criada pela Cooper. Na época, os carros de Fórmula 1 tinham
capacidade de 2,5 litros, a Fórmula 2 até 2 litros, e a Fórmula 3, 500 cc.
Obviamente faltava uma categoria intermediária, e assim foi criada a F-Jr.
Motores de 1 litro não faltavam na Europa: desde o Fiat, até o DKW alemão aos
Ford ingleses, e o Saab sueco, logo a categoria se tornou um sucesso. Com o implantação da F-1
de 1,5 litro, em 1961, a Fórmula Jr tomou a posição da F-3 e da F-2, ao mesmo
tempo, sendo a categoria imediatemente anterior à entrada na F-1.
Os F-Jr de Chico Landi acabaram equipados com motor FNM. No da frente, Jayme Silva, atrás, no carro com bico de Tubarão, Celso Lara Barberis morreu nos 500km de 1963 No
começo dos anos 60, produziam-se dois carros no Brasil cujo motor era ideal
para equipar carros de F-Jr: o DKW, de 1 litro, e o Gordini, de 850 cc. Assim
foi que Chico Landi, na época o mais conceituado personagem do automobilismo
local, empolgou-se em implementar a categoria no Brasil, em 1962. Landi
construiu diversos monopostos, mas a categoria não “emplacou”. Alguns
monopostos acabarem equipados com motores FNM e Simca, de mais de 2 litros, ou
seja, fora da categoria. Foi num desses carros, equipado com o motor JK, que o
famoso Celso Lara Barberis morreu em um acidente nos 500 km de Interlagos de
1963. Em 64 acabara a F-Jr na Europa, e a empolgação acabou no Brasil. A F-3 basicamente substituiu a F-Jr na Europa, e a equipe Willys, que tinha um bom relacionamento com a Alpine, firma que preparava carros de competição para a Renault na Europa, decidiu montar um F-3. O carro, chamado Gávea, teve uma boa performance nos 500 km de Interlagos de 1965, sendo batido somente pelo Simca-Abarth de Jaime Silva, e foi usado numa aventura internacional: a Temporada Argentina de F-3 de 1966. Lá não teve boa performance. Luis Antonio Greco, chefe da Willys, visualizava a criação de uma Formula Renault no Brasil, baseando-se no Gávea. A experiência valeu, e eventualmente Greco acabou criando um tipo de F-Renault (veja adiante).
A
VW, que nunca tinha investido no automobilismo, resolveu dar um apoio discreto -
muito discreto - à formação da Formula
Ve . A categoria, que tinha surgido nos Estados Unidos por
volta de 1962, tinha o atrativo de ser barata. A mecânica VW era fácil de
lidar, e logo a categoria foi adotada em diversos lugares do mundo. Como o
Brasil era um dos mais ávidos consumidores de produtos VW, nada mais lógico do
que adotar a categoria aqui. Com a maioria dos chassis produzidos pela Aranae e
pelos Irmãos Fittipaldi (o Fitti-V), logo a categoria foi preenchida com os
melhores pilotos da nova geração brasileira: Emerson Fittipaldi, Wilson
Fittipaldi, Jose Carlos Pace, Lian Duarte, Toto Porto, Chiquinho Lameirão,
Maneco Combacau, Ricardo Achcar e outros.
Emerson Fittipaldi ganhou o campeonato de 1967, e Achcar o de
1968.
Entretanto, o grande momento da Formula Vê foram os 500 km de
Interlagos de 1967. Totó
Porto ganhou a corrida com um Aranae., mas a categoria não convenceu
Por
uma série de razões, a F-Vê não foi para frente. Primeiramente, o apoio dado
pela VW foi muito pequeno (quase nada) para manter a categoria viva. Segundo, o fechamento de
Interlagos para obras, em 1968. A grande maioria dos pilotos
importantes da F-Ve no primeiro ano era de São
Paulo, e simplesmente passaram a não ter onde correr. Assim a categoria tornou-se
uma categoria regional carioca. Como os monopostos não
eram adequados para corridas de rua, apesar de tentativas em Campinas, Niteroi e
Salvador, a categoria foi “arquivada” até
segunda ordem. Com a abertura de Interlagos em 1970
ainda tentou-se recuperar a
categoria, com corridas no início do ano, e de certa forma rebatizada Formula
Brasil, mas sem sucesso. Voltaria mais tarde,
em 1975.
Torneio Internacional de F-Ford em 1970: Etapa de Curitiba. Volta do Brasil ao circuito internacional Em
70 foi realizada uma temporada internacional de Formula Ford
em 1970, a primeira
“temporada” internacional brasileira nos moldes das realizadas na Argentina.
A série de corridas, patrocinada por uma empresa aérea inglesa, a
BUA, foi um sucesso.
E logo o foco mudou de F-Ve, para Formula Ford. Ajudava muito o fato de três
brasileiros terem se destacado na F-F inglesa (Fittipaldi, Bueno e Achcar) em
1969 e de
agora haver um carro Ford no Brasil, cujo motor poderia ser usado no monoposto:
o Ford Corcel. Aqui
entra Luis Fernando Greco, o ex-chefão da equipe Willys, que queria criar uma Fórmula-Renault
nos idos de 66. No fundo, isso foi a Fórmula-Ford brasileira, pois o Ford
Corcel era um projeto da Willys, para substituir o Gordini, baseado em mecânica
(até mesmo estilo) nos Renault franceses. E foi exatamente Greco quem construiu,
com o OK da Ford, 25 monopostos batizados Bino,
monopostos que levaram a categoria nas costas durante muitos anos. O
primeiro campeonato foi realizado em
1971, e ganho por Chiquinho Lameirão. A Fórmula-Ford
tem o mérito de ter sido a categoria de monopostos que mais tempo sobreviveu no Brasil.
Em
1973, a VW que já havia assumido a liderança incontestável no mercado
automobilístico brasileiro, e decidiu investir no automobilismo. Embora
tenha havido uma discreta corrida de F-Ve (os carros ainda eram usados por
escolas de pilotagem em Interlagos) naquele ano, a categoria escolhida para a
chegada triunfal
da VW foi a Fórmula Super
Vê, com motores 1600. A categoria, iniciada em 1974,
foi um verdadeiro sucesso. Inicialmente, por que a VW investiu muito na
categoria (ao contrário do que fizera com a F-Vê), inclusive em transmissão
televisiva. Segundo, em 74 o preparo de motores VW estava muito avançado no
Brasil, e os carros eram muito rápidos, quebrando a barreira dos 3 minutos em
Interlagos. Muito ajudava a euforia com o fator
“Emerson”, que abriu o mercado de patrocínio para muitos pilotos.
Chico Lameirão quase foi campeão da Super Ve em 74. Em 75 levou o caneco. Carro: Polar
Chulam, Piquet e Guarana na Super Ve, 1976: auge da categoria Já no segundo ano da Super-Vê, a VW promoveu um
campeonato paulista de F-Vê, visando criar uma categoria junior, a ser equipada
com os motores de 1300 cc. A iniciativa foi bem sucedida, e em 1976
o campeonato
foi promovido para campeonato brasileiro. De certa forma, a
F-Vê progrediu mais do que a Super-Vê,
a partir de 1977. Um dos principais fatores foi a hegemonia do chassis Polar na
Super-Vê. Ao passo que havia dezenas de fabricantes de F-Vê, sem nenhum
dominar a categoria, quase todos os grids de Super-Vê a partir de 1977 eram
formados exclusivamente de Polar. Os Kaimann, Avallone e Heve simplesmente
sumiram do mapa. Assim, os grids foram minguando na Super Vê, ao passo
que na F-Vê eram imensos. Com esquemas menos profissionais, havia mais disputa
na F-Vê (já batizada F-VW 1300), e logo a FVW 1600 perdeu todo o prestígio
adquirido nos três primeiros anos. Eventualmente a VW retirou o seu apoio, e o
que restou da F-VW 1600 transformou-se em F-2 Brasil, a partir de 1980. Formula 2 Brasil de Ronaldo Ely
Em 1981, os Formula Ford já tinham uma aparência bem mais moderna do que os Bino de 1971 OUTROS ARTIGOS DE AUTOMOBILISMO DE AUTORIA DE CARLOS DE PAULA AUTOMOBILISMO BRASILEIRO - ANTES DE 1970 GALERIA DE PILOTOS BRASILEIROS QUE CORRERAM NO EXTERIOR CAMPEÕES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO CURIOSIDADES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO BRASIL - COMEÇO DO CELEIRO DE PILOTOS - 1966-1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1972 1972 - CONSAGRAÇÃO DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL SCHUMACHER: É O MELHOR DA HISTÓRIA? EQUIPE HOLLYWOOD - COMEÇO DO PATROCÍNIO COMERCIAL CHEVROLET OPALA NAS COMPETIÇÕES BRASILEIRAS MECÂNICA CONTINENTAL - ONDE ELES ESTÃO? PIONEIRISMO DE EMERSON FITTIPALDI FUSCA NAS CORRIDAS BRASILEIRAS MARCOS DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO |
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