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MITOS DO
AUTOMOBILISMO BRASILEIRO Há uma série de mitos
sobre o automobilismo brasileiro antigo, verdadeiras lendas urbanas. Divirtam-se.
Se quiserem comentar sobre o assunto, mesmo discordando, visitem as área específica
(Corridas) no meu blog. Clique
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De fato, diria o contrário,
salvaram. Quando começaram a surgir as monomarcas de turismo, em 1977, as séries
multimarcas estavam basicamente acabadas. A D-4
e classe C da D-3 já
haviam acabado, e com a proibição das corridas de longa duração a D-1, em
seu formato bem sucedido, também acabava e só restavam as categorias de monopostos,
que eram monomarcas (certamente não em termos de chassis, mas em termos de
motorização). Se não houvesse o envolvimento das fábricas, com o patrocínio
das diversas categorias monomarcas de turismo, e das categorias de monopostos,
sem dúvida o automobilismo brasileiro teria colapsado. Eventualmente, exceto
pela D-3 (Classe A) e HotCars, o automobilismo foi exclusivamente dominado pelas
monomarcas até aparecer a Formula
2 Brasil, em papel multimarca, na realidade, uma Fórmula
VW 1600. Com a liberação das
provas de longa duração, voltaram as disputas com carros de diversas marcas na
pista, com a realização de provas avulsas como as Mil
Milhas e 1000 km de Brasília, e eventualmente o Brasileiro de Marcas. As
monomarcas de turismo permitem aos automobilistas competir com custos mais
baixos. O custo de participação nos torneios FIAT e Passat eram bem baixos,
compatíveis com o Brasil em crise dos anos 70/80. Novamente digo: sem as
monomarcas o automobilismo teria colapsado entre 1977 e 1981.
Longe da verdade. As
categorias monomarca parecem “armação” pois permitem aos fabricantes
anunciarem seus feitos automobilísticos, sem mentir e ao mesmo tempo sem
concorrer com outros fabricantes! Mas a prática de usar a publicidade dessa
forma um tanto criativa já existia no Brasil nos anos 60, quando a Willys
anunciava as vitórias do Gordini em anúncios de duas páginas, na maior cara
de pau, sem mencionar que as vitórias eram quase todas de classe e sem
concorrentes. E a DKW-Vemag
fazia a mesma coisa! Quanto à origem
brasileira dos campeonatos monomarcas, nada mais longe da verdade. A primeira
categoria monomarca da qual tenho notícia foi a Fórmula
Vê, criada nos EUA, e eventualmente surgiram dezenas de categorias
monomarcas de monopostos no mundo inteiro, com diversas motorizações além
de VW: Ford, Renault, Peugeot, Fiat, Saab, Dodge, Toyota, BMW, Mazda, Opel,
Vauxhall, Alfa-Romeo, Audi, Chevrolet, Nissan, etc.. Quanto às categorias
monomarca de turismo, já eram muito populares na Inglaterra
no final dos anos 60, popularizando-se com a IROC que usou inicialmente
Porsche Carrera, depois Chevrolet Camaro e depois Dodge, e quase todos os
fabricantes promoveram provas ou campeonatos monomarca no mundo inteiro,
inclusive carros exóticos como Porsche, Ferrari, Maserati e TVR. Entre os
fabricantes que já usaram esse formato de automobilismo encontram-se a FIAT,
Alfa-Romeo, Chevrolet, Dodge, Porsche, Citroen, VW, Ford, Peugeot, Renault,
Toyota, Mercedes-Benz, Talbot, BMW, British Leyland, Mini-Cooper, etc, etc.
A homogeneidade é
recente no automobilismo. De fato, no Campeonato
Mundial de Marcas só foi praticada durante a época do Grupo C, a partir de
1983, que diga-se de passagem, não era uma categoria homogênea em termos de
dimensão dos motores, somente de enquadramento de regulamento! Curioso
notar que quando Stirling Moss e Juan Manuel Fangio disputaram as Mil Milhas de
1955, com potentíssimos Mercedes-Benz, os primeiros carros a largar eram minúsculas
Isetta, iguais às Romi-Isetta brasileiras. De fato, a grande parte dos 500 ou
mais carros que disputavam as últimas edições das Mil Milhas Italianas eram
Fiatezinhos com motores de menos de 1 litro, Gordinis, Alfas e Lancias pequenas,
etc. Até mesmo nas 24 Horas de Le
Mans dos anos 50 e 60, potentes Ferraris, Maseratis e Aston Martins dividiam a
pista com Saabs, Renault Rabo Quente, Panhards, Triumphs e DKWs! A homogeneidade
de tamanho dos motores nas categorias de turismo da atualidade é recente. Na
primeira fase do Campeonato Europeu de Turismo corriam desde Jaguar, Mercedes e
Camaros com motores de mais de 5 litros, até pequenos Fiat, Mini-Cooper e Imp
de menos de 1 litro, e de fato, haviam mais de seis categorias durante certa
fase do campeonato! Poucos eram os carros das categorias maiores, portanto
misturar os carros era necessário para ter um grid razoável. Até a mistura de
monopostos de diferentes categorias, às vezes com bipostos, era comum. De fato,
Emerson Fittipaldi ganhou uma corrida de Formula Libre em 1972, a Rothmans
50.000, disputada por carros de F-1, F-5000, F-2 e até uma Lola esporte protótipo.
Corridas de Formula Libre são comuns na Inglaterra até hoje, a nível de club.
Na própria F-1, carros de F-2, carros de Midget modificados e até mesmo carros
esporte participaram de GPs válidos para o Mundial de Pilotos nos anos 50.
Não, a bagunça nas
corridas de rua não era exclusividade brasileira. Invasões de pista? Falta de
segurança? Pistas inadequadas? No mundo inteiro!!! De fato, já haviam morrido
diversos espectadores na Targa Florio, quando a FIA resolveu tirar a prova do
Mundial de Marcas em 1973. Os carros atravessavam as ruas de Sicília sem
qualquer proteção para o público, que se acumulava em volta das ruas para ver
Ferraris e Porsches literalmente voando. Há relatos que chegam a ser cômicos
de provas realizadas na Venezuela, inclusive uma válida para o Campeonato
Mundial de Marcas, em Cuba, nas
Bahamas e mesmo na Europa. Invasão de pista era esporte olímpico no México. Mônaco
de certa forma, Pau, sempre foram excessões em boa organização nas provas de
ruas antigas. A mesma bagunça das provas brasileiras de rua existia no mundo
inteiro.
Não é verdade. Não
precisa ir muito longe. Os carros originalmente usados pela extinta categoria
americana Indy Lights (inicialmente chamada ARS) disputaram o campeonato durante
oito longos anos! Ferraris 250 do inicio dos anos 60 ainda disputavam provas no
final da década de 60, e Porsches 908, um carro criado em 1968, ainda
disputavam corridas de suposto alto nível nos longínquos anos 80! Isso sem
contar as velharias usadas na Interserie, no Mundial de Marcas de modo geral, e
em categorias de base nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e
principalmente outros países com o esporte menos desenvolvido . Os Maserati
250F não conheceram vida longa só no Brasil: de fato, estes carros ainda
disputavam corridas na Nova Zelândia, Estados Unidos e África do Sul quase em
meados da década de 60.
Hoje em dia estamos
acostumados com listas de inscritos estáveis, não só em categorias no
exterior, como no Brasil. Os concorrentes do DTM são sempre os mesmos, a lista
de inscritos da GP2 muda pouco, na F-1 e Indy Car nem pensar. Até no Brasil, há
pouca mudança de corrida para corrida. Mas essa falta de estabilidade dos
concorrentes não era exclusiva do Brasil. De fato, se tiver tempo
para verificar, duvido que consiga achar dois GPs nos anos 50 com idêntica
lista de inscritos. Numa corrida, quinze pilotos, na outra, trinta. E essa
variedade continuou, em graus cada vez menores, até os anos 80, quando a F-1
passou a se tornar mais “fechada”, desaparecendo as equipes privadas,
pilotos locais e os pilotos rent-a-ride. A mesma coisa ocorria na
F-2, F-3, Mundial de Marcas, provas de Turismo, Formula Indy, e até mesmo na
hoje organizadíssima NASCAR, que até 1972 tinha um esquema razoavelmente
amador, com mais de cinqüenta provas no calendário, e com pouquíssimos
pilotos disputando o calendário inteiro. Na realidade, o que vemos no
automobilismo brasileiro atual é reflexo do que ocorre no automobilismo mundial,
e a falta de estabilidade nas listas de inscritos dos anos 50 até início dos
anos 80, reflexo do que também ocorria no automobilismo internacional. A
estabilidade atual se dá por maior profissionalismo das equipes, melhoria em
transportes, aumento de patrocínio, etc.
Outra grande inverdade.
A Fórmula Intercontinental européia, do inicio dos anos 60 é um
exemplo. O Torneio PROCAR programado pela FIA no final da década de 80
nem saiu do papel. E a lista é imensa. De fato, a grande maioria das categorias
e campeonatos duram pouco mais do que alguns anos, no mundo todo. O
automobilismo é, por essência, uma atividade que têm que se reinventar
constantemente, por ser complexa, política e cara. |
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