|
brazilyellowpages.com
|
|
|
Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor
A ERA
FITTIPALDI – 1973-1975 Se até
o começo de 1972 ficava claro que Emerson Fittipaldi seria o primeiro piloto
brasileiro de expressão no cenário mundial, no fim do ano já se questionava
se não era o melhor do mundo. De fato, sua performance em 1972 foi brilhante, e
somente Jackie Stewart chegou a perturbá-lo um pouco. Assim Emerson começou o
ano de 1973 “por cima da cocada”, e o Brasil com três representantes na
F-1: além de Emerson, seu irmão Wilson Jr. na Brabham, e José Carlos Pace na
Surtees. O ano não
poderia começar melhor para Emerson: nas quatro primeiras corridas, ganhou três
e chegou em 3°
na outra. Ganhou na Argentina, e mais importante, ganhou a primeira edição do
GP do Brasil válida para o campeonato Mundial. Emerson tornara-se um herói
nacional, no molde de Pelé, e mais de 100.000 pessoas comemoraram a sua vitória
em Interlagos como se o Brasil tivesse ganho uma Copa do Mundo. Para os
brasileiros, era uma novidade. A F-1 era, já na época, o esporte mais tecnológico
do mundo, e não um mero jogo que pode ser jogado por crianças até com bola de
meias. Tal colocação caía como uma luva no ambiente do país, na era do
“milagre econômico”, do país que vai para frente, ame-o ou deixe-o, etc.,
etc.. Infelizmente,
o automobilismo não é um esporte fácil.
Para piorar, Emerson agora tinha um companheiro de equipe do mesmo nível
que o seu: Ronnie Peterson. A Lotus ainda perseverava com o modelo 72, carro que
usava desde 1970, e depois de Monaco, as coisas ficaram más para Emerson. O
Tyrrel 006 era um carro superior ao Lotus, e a McLaren lançara o modelo M23,
que também ameaçava o já ultrapassado 72. Após o segundo lugar em Monaco,
Emerson teve uma série de resultados ruins, inclusive um choque com o iniciante
Jody Scheckter na França, quando ocupava o segundo lugar, culminando com um
acidente nos treinos do GP da Holanda. Foi ali que Emerson perdeu qualquer
chance de um bi-campeonato. Machucou seu pé, largou em 16°,
e em Nurburgring (o pior lugar para correr machucado, com mais de uma centena de
curvas por volta), só chegou em 6°.
Ainda esboçou uma reação na Áustria, teve azar e quebrou quando liderava,
quase no final da corrida. Chegou em 2°
na Itália, mas teve que conceder o campeonato a Jackie Stewart. No Canadá, um
confuso GP protagonizado com a primeira incursão de um pace-car (devido a outro
acidente de Jody Scheckter!!!), muitos juram até hoje que Emerson ganhou: mas
os livros de história dão a Peter Revson a vitória. Emerson acabou vice-campeão,
e, sabiamente, trocou de equipe no fim do ano: iria para a McLaren. Pace agradou em 1973: duas melhores voltas
Wilsinho marcou seus únicos pontos na F-1 em 1973 Os
outros dois brasileiros tiveram atuações mais discretas, embora Pace tenha
impressionado. Quase sempre andava entre os 6 primeiros, mas o Surtees não era
páreo para as equipes de ponta. Ainda assim, Pace conseguiu a proeza de marcar
voltas mais rápidas em dois GPs seguidos, inclusive no Nordschleife! Acabou o
ano com 7 pontos, que não representaram todo o seu empenho durante o ano. Já
Wilson Fittipaldi quase consegue um pódio em Monaco, pois ocupava a 3a.
posição já na fase final da corrida. Acabou abandonando, mas marcou três
pontos (seus únicos) com um sexto na Argentina e 5°
na Alemanha. Seu companheiro Carlos Reutemann teve um desempenho muito superior,
mas isso pouco importava para a carreira de Wilson. Este viria a surpreender o
“establishment” da F-1, com o anúncio, no final do ano, de que construiria
o primeiro F-1 brasileiro. Luis
Pereira Bueno, um dos melhores pilotos brasileiros até hoje, com distinto currículo
internacional, teve a oportunidade de participar de um único GP, com um fraco
Surtees TS9 no GP do Brasil. Emerson, Pace e Wilsinho participaram
infrequentemente na F-2, e só Wilsinho conseguiu um resultado expressivo:
ganhou o fraco GP do Adriático, com uma Brabham BT-40. No Mundial de Marcas,
Pace foi companheiro de Merzario na Ferrari, obtendo dois excelentes segundos
lugares, em Nurburgring e Le
Mans. Alguns
pilotos novos procuraram galgar espaço na Europa em 1973. Seguindo o caminho de
Emerson & Cia., o gaúcho Leonel Friedrich e o paulista Luis Antonio
Siqueira Veiga tentaram a sorte na F-3 inglesa. Friedrich, que havia sido campeão
brasileiro de D-3 em 1972 (classe A, com Fusca) saiu-se melhor, mas não ganhou
nenhuma prova. Já Teleco, com pouca experiência no Brasil, fez algumas
corridas boas, mas não impressionou muito, numa safra com pilotos talentosos,
como Tom Pryce, Alan Jones, Jacques Laffite e Tony Brise.
No fim do ano, o campeão brasileiro de F-Ford, Alex Dias Ribeiro, fez
algumas provas de prospecção, visando uma temporada completa em 74. No final
de 1973 houve o primeiro choque do petróleo. Este, que até então custava a
base de 2 dólares o barril, teve o seu preço aumentado mais de cinco vezes.
Esse aumento teve reflexo no automobilismo mundial e brasileiro. Só a F-1 não
sentiu grandes efeitos da crise, e Emerson começou o ano cheio de esperanças.
Estava na McLaren, possivelmente o melhor carro da temporada passada, com farto
patrocínio da Marlboro e da Texaco. Jackie Stewart se aposentara, e a Lotus
iria mais uma vez usar o 72! A Tyrrel contaria com o rocambolesco Jody Scheckter
e Patrick Depailler (Cevert morrera
no último GP do ano anterior), e Peter Revson alinharia na fraca Shadow.
Restava uma dúvida: a Ferrari, que tinha ido muito mal no ano anterior. Emerson ganhou o GP do Brasil de 1974 com esta McLaren M23 De fato,
foi a Ferrari a maior pedra de tropeço no caminho de Emerson. Clay Reggazoni e
Niki Lauda geralmente eram mais rápidos do que Emerson nos treinos e nos inícios
das corridas, mas a Ferrari quebrou muito. Lauda ainda não era aquele piloto
“cerebral”, e cometia muitos erros, afoitamente. Mas Emerson acabou ganhando
o campeonato, com três vitórias, de uma forma muito diferente de 1972. Embora
naquela feita fosse o piloto mais rápido, e certamente dos mais arrojados, em
74 Emerson corria mais com a cabeça do que com o pé. Assim que, quando
liderava uma corrida, invariavelmente a ganhava. Outros pilotos, como Niki Lauda,
Ronnie Peterson e Carlos Reutemann obviamente eram mais rápidos do que Emerson.
No final de 1974 Moco já ira para a Brabham Emerson começou e terminou bem o ano de 1975. O problema foi o maio e um certo Niki Lauda... O carro,
de linha arrojadas e prateado, acabou sendo intensamente modificado para a estréia
no GP da Argentina. Lá, pegou fogo nas primeiras voltas, não demonstrando
nenhum sinal de competitividade durante a temporada inteira. Ainda assim,
Emerson resolvera trocar o certo pelo incerto, sem saber acabando com a sua
carreira na F-1.
Pace primeira e única vitória na F-1 em 1975. Também primeiro 1-2 brazuca Para os
brasileiros, restavam as esperanças: de a Copersucar se tornar uma grande
equipe, o motor Alfa-Romeo 12 cilindros ser tão bom quanto o Ferrari e levar a
Brabham ao campeonato de F-1, e que Alex Ribeiro e Ingo Hoffman se tornassem a
nova geração de brasileiros bem sucedidos na F-1. Todas infundadas, veremos
depois.
OUTROS ARTIGOS DE AUTOMOBILISMO DE AUTORIA DE CARLOS DE PAULA AUTOMOBILISMO BRASILEIROSérie de artigos informativos AUTOMOBILISMO BRASILEIRO - ANTES DE 1970 GALERIA DE PILOTOS BRASILEIROS QUE CORRERAM NO EXTERIOR CAMPEÕES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO CURIOSIDADES DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO BRASIL - COMEÇO DO CELEIRO DE PILOTOS - 1966-1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1971 RESULTADOS DO TORNEIO BRASILEIRO DE F-2, 1972 1972 - CONSAGRAÇÃO DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO VENCEDORES DE CORRIDAS NO BRASIL SCHUMACHER: É O MELHOR DA HISTÓRIA? EQUIPE HOLLYWOOD - COMEÇO DO PATROCÍNIO COMERCIAL CHEVROLET OPALA NAS COMPETIÇÕES BRASILEIRAS MECÂNICA CONTINENTAL - ONDE ELES ESTÃO? PIONEIRISMO DE EMERSON FITTIPALDI FUSCA NAS CORRIDAS BRASILEIRAS MARCOS DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO 25 HORAS DE INTERLAGOS DE 1973
|
|
Send mail to carlosdepaula@mindspring.com
with
questions or comments about this web site.
|