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Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor O ANO
DA CONSAGRAÇÃO Por Carlos de Paula Emerson
Fittipaldi continuava na Lotus, que em 1972 teria um novo patrocinador, a marca
de cigarros John Player Special. Os mais supersticiosos achavam que um carro de
corrida pintado de preto era mau agouro. Mal sabiam. A
temporada começou na Argentina, onde Emerson se classificou em 5°
para a largada, e andou a maior parte da corrida em 3°,
no final abandonando. Infelizmente, Jackie Stewart dominou a corrida, como havia
dominado a temporada passada. Já na África do Sul, quem dominou foi Denis
Hulme, mas Emerson chegou em segundo, assim marcando os seus primeiros pontos no
campeonato. Também importante foi a estréia de Jose Carlos Pace na F-1,
pilotando um March 711 do ano anterior, da Equipe Williams. A
temporada européia tipicamente começava com a Corrida dos Campeões, realizada
em Brands Hatch. E lá, Emerson mostrou que seria forte candidato ao título,
marcando a pole, volta mais rápida e vencendo de forma convincente. A
próxima corrida seria um marco para o automobilismo brasileiro: o primeiro
Grande Prêmio do Brasil de F-1. Embora com somente doze carros, e sem os
principais astros do campeonato além de Emerson, a corrida demonstrou, pelos
esforços de Antonio Carlos Scavone, que o Brasil tinha capacidade para abrigar
corridas do Campeonato Mundial. Emerson novamente marcou a pole, e a volta mais
rápida, mas para infelicidade dos brasileiros, quem levou o caneco foi Carlos
Reutemann. O resultado desta corrida e das outras corridas de F-1 de 1972, não
válidas para o campeonato, podem
ser achados neste link. De
volta à Europa, a sorte de Emerson voltou. Outra corrida extra campeonato na
Inglaterra: o Daily Express Trophy, em Silverstone. De novo, Emerson na cabeça,
com pole position. Só deixou a volta mais rápida para Hailwood. O
balanço do começo do ano era claro. Emerson Fittipaldi tinha mais vitórias, e
de modo geral, aparentava ser o mais rápido. Embora as corridas da Inglaterra não
contassem com a participação da Tyrrel - Jackie Stewart, ou da Ferrari, a
McLaren correu nas duas, e foi redondamente batida. O tira teima foi a primeira
corrida oficial no continente, o GP da Espanha. E aqui, Emerson despachou tanto
a Tyrrel como a Ferrari, e todos mais. Ganhou de forma convincente, liderando a
partir da 9a. volta. Além disso, Carlos Pace conseguiu um excelente
6o. lugar, com o velho March, e no seu segundo GP, e Wilson
Fittipaldi Jr. estreou com o terceiro Brabham em provas oficiais de F-1. Era o
Brasil no ataque. O
GP de Monaco foi corrido sob intensa chuva, e embora Emerson tenha marcado a
primeira pole position da sua carreira, o francês Jean-Pierre Beltoise
conseguiu largar bem, e manter a liderança até o final. Entretanto, com os
pontos do terceiro lugar, Emerson assumiu a liderança do campeonato, que não
mais perderia.
Emerson no GP da Argentina de 1972 Na
Bélgica, no novo circuito de Nivelles, Emerson ganhou novamente, largando na
pole, e José Carlos Pace marcou pontos mais uma vez, desta feita um quinto
lugar. Visto que o principal rival de Emerson, Stewart, não correu na Bélgica
devido a um úlcera, Emerson assim conseguiu ampliar mais ainda seu score.
Mas Stewart voltou no Grande Premio da França, e conseguiu vencê-lo, após
o azarado Chris Amon perder uma corrida ganha, com um pneu furado. Com o segundo
lugar obtido, Emerson conseguir manter Jackie a uma boa distância.
Logo
após o GP francês, Emerson correu no GP da República Italiana, não válido
para o campeonato vencendo embora sem nenhuma concorrência razoável, a corrida
mais fraca do ano. O próximo GP oficial foi o inglês, em Brands Hatch, pista
onde Emerson já tinha ganho diversas corridas. E não desapontou, ganhou após
a falha de Jacky Ickx, com Ferrari, mas Stewart chegou em segundo. O GP da
Alemanha foi neutro, em termos de campeonato. Nem Emerson, nem Stewart marcaram
pontos, e a Ferrari ganhou, 1-2, Ickx/Reggazoni. Na
Áustria, o sonho de um título brasileiro ficou mais próximo. Emerson largou
na pole, e embora Stewart tenha ameaçado alguma reação, liderando na partida,
a estabilidade do seu carro foi piorando, e eventualmente, Emerson ganhou, e
Stewart foi 7o. Na
Itália, Emerson tinha grande possibilidade de ganhar o título. Nos treinos,
foi 5o. atrás das duas Ferraris, de Chris Amon no Matra e de
Stewart. As Ferraris dominaram a primeira parte da corrida, mas a boa notícia,
para Emerson, foi o abandono de Stewart logo na primeira volta. Eventualmente,
as Ferraris falharam, Emerson ganhou a corrida e o título, antecipadamente. O
mais jovem campeão do mundo, com pouco menos de 26 anos. Para o Brasil, que até
dois anos antes não sonhava em ter pilotos na F-1, quanto mais campeões, a vitória
de Emerson significou um aumento extraordinário na popularidade do esporte. Título
ganho, Emerson relaxou, e as duas últimas corridas do campeonato foram ganhas
por Stewart, que assim garantiu o vice.
Emerson no GP da Italia de 1972. Note o número diferente no carro. Naquela época os carros não tinham número fixo, exceto pelo campeão Stewart Que
a temporada foi de Emerson, não há dúvida. Além da Corrida dos Campeões, do
Daily Express e de Vallelunga, Emerson também ganhou outra corrida, a longa
Rothmans 50,000, com quase três horas de duração. Também correu na F-2, e
ganhou três corridas seguidas do campeonato Europeu , em Hockenheim, Rheims e
Oesterreichring. Para selar um ano de sucessos, ganhou uma das provas do torneio
brasileiro de F-2, em Interlagos, ao todo, acumulando 13 vitórias durante o ano. Para
José Carlos Pace, o ano foi positivo. Estreou na F-1, marcando três pontos com
um carro velho, e logo se tornou um dos pilotos mais requisitados. Foi convidado
a correr no Mundial de Marcas, pela Ferrari e Mirage, na Can-Am, pela Shadow, e
terminou o ano na Surtees, tanto na F-1 quanto na F-2. Começou a temporada de
F-2 na fraca Pygmee, junto com outro brasileiro, Lian Duarte, campeão de
Esportes Protótipos do ano anterior. A Pygmee não chegou ao fim do ano, e Pace
mudou de equipe. Conseguiu ganhar uma das provas tdo Torneio de F-2, e chegou em
2o. na última corrida de F-1 do ano, em Brands Hatch. Resultados da
temporada européia de F-2,
clicar aqui.
Emerson no seu F-2 Lotus em Interlagos. Foto cortesia de Rogério P.D. Luz Wilsinho
Fittipaldi foi o piloto que mais marcou pontos no Europeu de F-2, complementando
suas atividades com a F-1, e no fim do ano, ganhando a segunda Copa
Brasil,
pilotando um Porsche 917, competindo contra Andrea de Adamich, Willy Kaushen e
Georg Loos. Outra
participação internacional interessante foi a da Equipe Hollywood,
que levou o
seu bem preparado Porsche 908/2 para correr nos 1000 da Áustria, com Luis
Pereira Bueno e Tite Catapani. Infelizmente abandonaram a corrida.
Embora
os brasileiros tivessem se consagrado nesse ano, não houve renovação. Nenhum
piloto brasileiro participou da F-3, ou outras categorias de base, e ficava
ainda a impressão de que os Fittipaldi e Pace eram tudo que o Brasil tinha de
oferecer ao automobilismo internacional.
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