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Copyright © 2003 Carlos de PaulaNão pode ser reproduzido sem a permissão do autor O
COMEÇO DO CELEIRO DE PILOTOS Por Carlos de Paula A
primeira tentativa de invasão da Europa por pilotos brasileiros nos anos 60,
ocorreu com a Equipe Willys, obviamente sem contar as participações de
Christian Heins no começo da década. Com boa ajuda da Alpine, que começava a
se destacar nas corridas, a Willys construiu um monoposto de F-3, chamado “Gávea”,
que correu na temporada argentina
de Formula 3 de 1966, sem muito sucesso. Nos treinos até que teve desempenho
razoável, mas nas corridas invariavelmente era o último colocado. A Willys
anunciou que levaria um time de quatro pilotos para correr na F-3
na Europa, em 1966, mas os planos nunca foram mais do que isso: planos. O Gávea foi
dirigido por Wilson Fittipaldi Jr., que no meio de 1966 se aventurou na Europa,
por sua conta, tentando qualificar um Pygmee na Coupe de Vitesse, em Rheims, em 03/07.
Infelizmente, Wilsinho não conseguiu se classificar para a largada, mas sem dúvida o Pygmee
estava longe de ser um dos melhores carros da época. No Brasil o Gávea
conseguiu ser segundo nos 500 km de Interlagos de 1965, contra carros muito mais
possantes. Histórico do
F-3 Gávea
A
equipe Willys não durou muito tempo mais, de fato, a própria fábrica foi
comprada pela Ford em 67, e a equipe Willys Ford acabou em 1968. Para piorar, as duas outras fábricas que apoiavam as
corridas no Brasil, a Simca e a
DKW, também sucumbiriam à crise
recessionária de 65/66, levando consigo os respectivos departamentos de
competição. A única grande equipe que sobrava, a Dacon, também abandonou as
competições. Não
fosse pela Equipe Jolly
Gancia, que animou quase unanimemente as corridas
brasileiras de 66 a 70, empregando os melhores pilotos da época, é bem possível
que o automobilismo brasileiro tivesse posto a perder o pouco progresso feito
nos anos 60. Correndo com Alfa Romeos importadas (Alfas Giulia, GTA, GTAM e
P33), a Jolly ganhou muitas das corridas das quais participou entre 66
a 70, com pilotos como Wilson Fittipaldi Jr., Francisco Lameirão, José Carlos
Pace, Marivaldo Fernandes, Emerson Fittipaldi, e muitos outros, como Ubaldo
Cesar Lolli, Pedro Victo de Lamare, Totó Porto, Mario Olivetti, Emilio Zambello, Piero Gancia, e
outros. O que restou da Equipe
Willys, com os protótipos Bino, também deu um
pouco de consistência às corridas da época.
Outro
problema sério afligiu o automobilismo da época. O autódromo de Interlagos,
indisputavelmente o principal do Brasil, ficou fechado para reformas de 68 a
1970. As principais equipes e pilotos estavam sediadas em São Paulo, mas as
corridas se realizavam em lugares como Salvador, Rio de Janeiro, estradas do
Paraná e Rio Grande do Sul, etc. Isso levou os pilotos com espírito mais
empreendedor a procurar a única saída: o exterior. Emerson Fittipaldi e seu irmão tinham desde o princípio das suas carreiras esse espírito empreendedor. Construíram Karts, um Formula Ve de grande sucesso (categoria que não prosperou devido à falta de apoio da VW), o protótipo Fitti-Porsche, e um Sedã VW com 2 motores! Mas Emerson não foi o pioneiro da leva de 60. O carioca Ricardo Achcar correu na recém criada Fórmula Ford, e de fato ganhou uma corrida, e Antonio Carlos Avallone também havia experimentado correr na Inglaterra, na F5000, com menos sucesso
Fitti-Porsche
em 1967. Foi Emerson quem teve
maior impacto, conquistando inúmeras vitórias na Fórmula
Ford, em 1969, passando no meio do ano para a Fórmula 3. Histórico
de Emerson em 1969. Apesar da temporada incompleta, Emerson ganhou um dos
campeonatos de F-3, e no fim do ano já era considerado “hot property” do mercado de
pilotos. O
“timing ” de Emerson foi perfeito. Se tivesse ido à Inglaterra em 67, é
possível que não tivesse tido sucesso imediato. De 1958 a 1969, todos os
pilotos campeões mundiais foram de fala inglesa. A grande maioria dos
vencedores de corridas itnham a língua de Shakespeare como idioma pátrio. As equipes, idem. Até a
Ferrari, ascostumada a ser mais cosmopolita dentre as equipes, passou um grande
tempo com pilotos “anglos”. A partir da F-1 de 3 litros, em 1966, começou a
aparecer uma geração de pilotos não-anglos, que chamava a atenção das
equipes. Entre outros, o austríaco Jochen Rindt, o mexicano Pedro Rodriguez, o
belga Jack Ickx, o francês Jean-Pierre Beltoise, mudaram a face da F-1.
E em contra-partida, depois de Jackie Stewart e Denis Hulme, não havia
aparecido nenhum piloto “anglo” que superasse os não “anglos”. Também
ajudou o destaque obtido pela equipe francesa Matra, nas Fórmulas 3, 2 e
eventualmente, 1. A
sorte estava lançada. A geração de 1969 também incluía outros pilotos de
grande qualidade técnica, arrojo e talento, como Ronnie Peterson, François
Cevert e Reine Wissel, e os chefes de equipe pararam de dar oportunidades,
exclusivamente, aos pilotos “anglos”.
Não
foi com muita surpresa que Colin Chapman, que empregava exclusivamente pilotos
anglos até contratar Jochen Rindt para a temporada de 1969, resolveu contratar
Emerson como terceiro piloto da sua famosa equipe Lotus, para 1970. O segundo
piloto, o inglês John Miles, teve desempenho fraco e não terminou o ano na
equipe. Sinal de novos tempos, a “angla” Lotus terminou o ano com Emerson
Fittipaldi e o sueco Reine Wissel, contratado após a morte de Rindt na Itália.
O “anglo” melhor colocado no campeonato acabou sendo Denis Hulme, atrás de um
austríaco, um belga e um suíço, e sem vitória. Incidentalmente, o placar de
vitórias também favoreceu os não anglos: 10 x 2, sendo os anglos só ganharam
as duas primeiras corridas. Fato inusitado desde 1957. O
ANO DE 1970 – ANO CHAVE O
sucesso de Emerson na Europa entusiasmou diversos pilotos brasileiros a tentar a
sorte lá. O ano começou bem, com um torneio de Fórmula Ford
com corridas em
Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e até na longínqua Fortaleza, onde se
inaugurara um autódromo, o Virgílio Távora. Emerson ganhou o torneio, e
diversos brasileiros participaram. Alguns resolveram expandir a sua experiência
brasileira.
Torneio BUA de F-Ford, 1970: Etapa de Curitiba O
ano de 1970 foi muito importante para o futuro dos brasileiros no exterior, pois
Emerson poderia ser um fenômeno isolado. Pelo menos dois pilotos provaram que não
era esse o caso: José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi Jr. Ambos ganharam
diversas corridas de F-3, e Pace foi campeão de um dos torneios da categoria.
Infelizmente, outros brasileiros não foram tão felizes: Luis Pereira Bueno,
Francisco Lameirão, Norman Casari, Rafaele Rosito, Fritz Jordan, Ronald Rossi e
Jose Maria Ferreira aprenderam mais um pouco sobre pilotagem e sobre a vida, e
voltaram ao Brasil sem carreira internacional consolidada. Os três últimos
ainda tentariam mais uma vez em 1971, sem
sucesso. Quanto
a Fittipaldi, correu na F-2, com a Lotus, chegando em terceiro lugar no
campeonato mas sem nenhuma vitória. Mais importante, ganhou o Grande Prêmio
dos Estados Unidos na sua quarta prova de Fórmula-1, batendo o experiente Pedro
Rodriguez, a primeira vitória de um brasileiro na F-1. A
semente havia sido plantada, e o mais importante, é que estavam se realizando
corridas internacionais no Brasil, mais uma vez. No final de 1970 organizou-se
um torneio de carros esportes, chamado Copa
Brasil, com a participação de
pilotos internacionais. Infelizmente, não foram muitos os pilotos europeus que
viajaram para o longínquo Brasil, e os dois mais “expressivos” eram os
fracos
espanhóis Jorge de Bragation e Alex Soler Roig. Os dois, embora corressem com
Porsches de capacidade cilíndrica
superior, foram batidos por Emerson Fittipaldi, com uma Lolinha de 1,8 litros.
Curiosamente, os grids continham desde Fuscas preparados, até a espetacular
carreteira 18 de Camilo Cristófaro, que em 1970 já tinha visto melhores dias.
Muitos carros potentes ficaram de fora.
Copa Brasil 1970 - Lola do Wilsinho. Foto cortesia de Rogério R.P.Luz
Também
ocorreu, no início de 1971, um torneio internacional de F-3, o primeiro da América
do Sul desde a Temporada Argentina de F-3 de 1967. Este torneio teve a participação
de pilotos mais expressivos, como o australiano David Walker e até o futuro
campeão mundial Alan Jones (diga-se de passagem, teve performance bem apagada).
O Brasil tomava da Argentina o título de polo automobilístico da América do
Sul, e Emerson o título de papão do continente. Resultados
do Torneio de F-3 de 1971 Apesar
do início auspicioso, o ano de 1971 não foi de acordo com as expectivas para
os pilotos brasileiros na Europa. Na F-1, Emerson não ganhou nenhuma corrida, e
seu melhor resultado foi 2o. na Áustria. Compensou, entretanto, com
três vitórias na F-2 mas, como já era piloto graduado, não contava pontos
para o campeonato. José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi também participaram da
F-2, e Pace conseguiu uma vitória em Imola, em prova não válida para o
campeonato, mas não marcou um único ponto no torneio. Wilson teve melhores
resultados no campeonato, e correu com uma Lotus de F-1 na prova da Argentina, não
válida para o Mundial. Na F-3, Fritz Jordan, Giu Ferreira e Ricardo Rossi não
conseguiram sucesso.
Emerson na F-2, já em 1972 na Austria No
final do ano o Brasil se aproximava mais uma vez da realização de uma prova de
F-1, com a realização de um torneio de F-2 com provas em Interlagos (2) e
Tarumã. O torneio contou com pilotos de categoria, inclusive o campeão Ronnie
Peterson, mas, mais uma vez Fittipaldi saiu-se melhor. Resultados
do Torneio de F-2 de 1971 PRÓXIMO
ARTIGO – O ANO DA CONSAGRAÇÃO
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